quinta-feira, julho 16, 2009

Música

Água pra beber / Comida pra comer
Coração pra você.
Água pra matar a sede / Comida pra matar a fome
Amor pra não esquecer.

Palavras pra contornar / Bebida pra comemorar
Simplesmente me embreagar.
Drogas pra drogado / Política pros intelectuais avançados
Vanguarda brasileira / Polícia mineira
Maracanã de besteira.

A fome mata minha vontade de lutar
O cansaço fala mais alto
Eu caminhei mas nem sei o que faço
Pra onde olho, ninguém ao meu lado.

A solidão minha companheira / brinda, festeja a miséria gelada
Os jornais estampam caras abusadas
Nova edição
Mais um BBB em confusão.

Tamanha alienação
Obriga rimas pobres
Bastante lucrativas
O que importa são as cifras.

Num beco sem saída
Só me resta nostalgia
Olhar pra frente, enxergar o futuro
Sem malandragem
Dou com a cara no muro.

Junior

segunda-feira, julho 13, 2009

Dia Mundial do Rock

Sabe quando bate aquela vontade de comer biscoito goiabinha?
Então, tava escutando Rock (no dia mundial do Rock) e me bateu um lance.
Cheguei a conclusão máxima de que o Rock é igual a goiabinha.
Não importa o tempo que passe, todo mundo conhece (tudo bem, as vezes numa embalagem diferente).
E não tem como negar, sempre tem aquele sabor de quero mais.
Detalhe:

ou você AMA ou você ODEIA.

!!!!!!VIVA O ROCK!!!!!!!

ELVIS NÃO MORREU, HENDRIX NÃO MORREU, RAUL NÃO MORREU!

O ROCK NUNCA VAI MORRER!!!!




Minha singela homenagem aos eternos.

Eu não uso drogas, juro.

Junior

domingo, julho 12, 2009

Sem título



Vagando pelo deserto de mim.
Por vezes em meio ao oásis que a ilusão da vida me mostra
Continuo sem olhar pra trás
A saudade me traz coisas que vivi anteriormente e que simplesmente não voltam nunca.
Por que? De que adianta lembra-las?
A vida só é vivida quando se caminha.
Sou livre preso a mim mesmo.
A sede de vida me consome
E meu tempo é curto.
Não sei por que insisto nisso. Algo me diz que sim.
Mas se for um pouco, feliz, eu quero.
Tenho medo do muito, infeliz.
Basta-me um retalho de momentos alegres
Para cobrir minha pele do triste frio.
Não sei por onde começar.
Queria um entorpecente pra fugir dessa realidade chata e velada.
Algo que me levasse até você rapidamente.
Se fosse bom eu não voltaria.
Que deus me perdoe.
Seria feliz morrendo no seu veneno.
Afogado, dentro de mim, correndo, anestesiando lentamente,
Eternamente.
O último solo de guitarra é tão lindo que não me canso de escutar.
Não canso de escutar você dizendo

Que não vou acordar...

Junior

sábado, julho 11, 2009

Eu

Apaguei tudo que tinha escrito
Só pra dizer que é difícil descrever tudo que rola
Entre eu e esse alguém que habita dentro de mim.

Junior

segunda-feira, junho 29, 2009

Fase

Poema de estudante,
Poesia de "concurseiro".
Que porra de termo é esse?
Tudo pelo dinheiro.
Nada para a lenda pessoal.
A sociedade me empurra,
Meu coração reclama,
Minha mente pensa...
Tá difícil esse lance.
Até gosto um pouco.
Lembro que mesmo meus amigos,
Mesmo meus ídolos,
Passaram por isso.

Junior

Interrogação e reticências

Hoje é sábado, dia 27 de junho de 2009.
Estou no curso, estudando pra ganhar dinheiro.
Acabei de andar por entre as ruas desertas de sábado em niterói.
Olhei algumas pessoas, olhei pro guardador de carros.
As portas fechadas, o contraste do parque municipal aberto.
Subi as escadas, sentei na cadeira.
Começou a bater a lombeira.
Eu não queria estar aqui.

Junior

quinta-feira, junho 25, 2009

Meu peito

A ampulheta do tempo e seus grãos de areia...
Velados, insistentes em cair, sem me consultarem se estou a aproveitar meu tempo.
Sopro de ar no pulmão, inspiro gás carbônico e solto palavras farpadas,
Cozidas em água e sal.
Por vezes solitário mesmo estando acompanhado.
Olhar longe, no mar ou na lua, em qualquer lugar, sempre a te procurar.
O fio de vida que me separa da morte é tão fino que não vejo.
Tão frágil que não sinto.
Parei pra pensar nisso.

Junior

quarta-feira, junho 24, 2009

Pra Você

Acordei com vontade de lhe dizer tudo que sonhei.
Mas sei que você está um pouco longe de mim, mesmo estando tão perto.
Quando te reencontrei senti algo que pensava estar enterrado.
Milhares de pensamentos brotaram,
Milhares de sensações renasceram.
Onde você esteve esse tempo todo?
Eu já tinha me condenado a outro amor, longe de você .
Você seria a minha memória eterna, a foto que nunca é trocada do porta- retrato empoeirado.
Sou complicado e estranho, pois o normal não me agrada totalmente .
As melhores sensações de minha vida eu não programei,
Não agendei e nunca quis saber se iria ter fim. Apenas vivi.
Todas aquelas conversas inocentes, em meio a tantos risos, escondiam um sentimento verdadeiro.
Sempre te quis, ao meu lado, pra caminhar sem compromisso.
Sem casamento ou família certa social .
Apenas eu e você. E tudo que tivermos vontade de fazer.
O mais difícil é aceitar que estamos condenados a viver separados,
Por conta de um ego que insiste em tentar ser maior que nosso amor.
Enquanto ele tenta, eu vou fazer o que creio.
Vou atrás de você, meu amor.

Junior

terça-feira, março 31, 2009

segunda-feira, janeiro 05, 2009

Axé

Nada para dizer.
Apenas o de sempre.
Tal como o tempo e suas passagens.
Só muda a sua atitude. Só ela pode mudar o seu rumo.
Que hoje sua atitude seja diferente de ontem. Que seus pensamentos sejam contraditórios com os de ontem, porém construtivos.
Acredite na sua capacidade de aprender. Pare e pense, não aceite puro e simplesmente o que lhe dizem. A verdade é a sua vida. Busque um ideal, seja ele qual for. Apenas tente viver com um propósito. Não exista simplesmente, já que não é sempre que se ganha uma corrida de espermatozóides.
Acredite no tempo.
Acredite na paciência.
E o mais importante: acredite que só dentro de você existe uma máquina que bombeia sangue e energia para prosseguir.
Tenha coragem.
Haja com o coração.
A vida é posicionamento e escolha.
Faça a sua. Quem sabe não nos esbarramos por aí?
Só isso já basta para um ano melhor. Para uma vida melhor.
Amor, força e luz.

Junior

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Lembranças, reflexões, angústia, solidão na multidão, vazio, chato demais a internet, a televisão, o rádio, sempre as mesmas coisas...



Felicidade?, somente nas coisas simples.
Ainda continuo sonhando, acreditando.

Saudade de tudo aquilo que ainda não vivi.
Esse mundo é estranho.


Junior

sexta-feira, outubro 24, 2008

Homo Sapiens

Num planeta, não muito distante,
não existiam problemas.
Num planeta, não muito distante,
não existiam lágrimas.
Num planeta, não muito distante,
não existia dinheiro.
Num planeta, não muito distante,
não existiam guerras.
Num planeta, não muito distante,
não existiam doenças.
Num planeta, não muito distante,
não existiam crimes.
Num planeta, não muito distante,
não existiam políticas.
Num planeta, não muito distante,
não existiam fronteiras.
Num planeta, não muito distante,
não existia nada racional -inclusive seres.
Num planeta, não muito distante,
não existia nada.
Só pensamentos... e sentimentos.

Junior

sexta-feira, setembro 05, 2008

Adeus Guerreira



Hoje a guerreira Cleyde Prado Maia partiu para o outro plano. Vítima de um AVC, foi reencontrar sua filha Gabriela, vítima da violência urbana.
Antes disso, decidiu transformar o seu luto em luta e contaminar todos nós com sua garra, determinação e luta incansável contra toda essa violência que nos assola diariamente.
Cumpriu de forma honrosa tal missão.
Tive a oportunidade de compartilhar alguns momentos de luta ao seu lado. Foram suficientes para ter a certeza de que se tratava de uma pessoa predestinada e iluminada.
Me faltam palavras para descrever tudo o que senti e aprendi ao lado de pessoas como Cleyde.
Tenho certeza que estás feliz ao lado de Gabriela.

Muita LUZ em sua nova missão, guerreira.



A luta continua. Você aí de cima e nós aqui de baixo.

Com admiração, carinho e saudades

Junior

segunda-feira, agosto 25, 2008

Posso tentar

Posso tentar
Posso tentar mudar, fazer diferente
Posso tentar mudar tudo aquilo que me dizem
Tudo aquilo que me convencem
Nada é pra sempre, nada é por acaso
Posso discordar
Posso enxergar além
Tenho olhos, boca e ouvidos
Um coração e vários sentidos
Sou humano
Uma estrela a brilhar
Ainda que a realidade não me mostre nada
Só máculas
Só contos de fadas
Nesse jogo de cartas marcadas
A minha malandragem falará mais alto
Ainda que tudo pareça escuro e sombrio
Me guia, me fascina, me cega
Lava, renova meu espírito
Vão dizer-me que sou incapaz
A profecia confirmada
Não vai mudar nada
Nada será diferente, eu apenas um indigente
Nessas horas, ah nessas horas!
Eu vou lembra de tudo que me foi dito
Vou olhar pra trás e dar risada
Tamanha guinada
De luz , força, fé e esperança
Pois sei que posso
Posso tentar
Posso tentar mudar, fazer diferente
Posso tentar mudar tudo aquilo que me dizem
Tudo aquilo que me convencem


Junior

quinta-feira, agosto 07, 2008

Fogo não apaga fogo

Foi ali, diante de pessoas encarceradas - cumprindo suas penas por crimes cometidos perante a sociedade - que me peguei refletindo sobre toda a situação moral e social de nosso país, chegando a essa conclusão óbvia.
Uma conclusão carregada de realidades e sentimentos das mais diferentes naturezas. Ainda mais, se imaginarmos que essa frase que dá título ao texto e minha reflexão, foi esplanada por um daqueles presos.
Quem nunca errou na vida?
Já estive à beira da sociedade. Sim, aqueles dias marginais, aquela famigerada época. Impulsionado por hormônios adolescentes e meios de comunicação que vendiam – e ainda vendem – falsas verdades que fomentam o senso comum e massacram o interesse em compreender situações cruciais para qualquer cidadão - qualquer Ser - que preze pela capacidade inteligente que lhe é atribuída ao nascer.
Em outras palavras, já fui burro.
Devido às oportunidades que foram ofertadas à minha pessoa - família e educação - pude reverter tal jogo e livrar-me de toda aquela cegueira.
Não foi um processo imediato. Passei por algumas provações que levaram-me à obsessão por dias melhores. Foram males necessários.
Pensando desta maneira, me pergunto quantos jovens um dia também já passaram por determinada fase e aspiraram tais desejos. Ou ainda, quantos jovens viveram isso e qual caminho seguiram?
Somos seres humanos.
Possuímos em nossa natureza, características genéticas que aparentam sinais de igualdade e reconhecimento da espécie. Porém, nada disso está ligado ao fato errôneo de pensarmos que somos totalmentes iguais . Em alguns aspectos, sim; em muitos outros, não.
Somos iguais em desejos, sonhos, paixões, raiva, vislumbre e todos os inúmeros sentimentos que afloram em nossas mentes. Mas somos diferentes - e muito - em comportamento e valores, principalmente, na maneira de agir em busca desses.
Voltamos à máxima "o homem é fruto do meio que vive". E essa é a pura e sintética verdade.
O que dizer então sobre aqueles seres?
Minha opinião sobre esse complexo assunto está amplamente estampada em minhas ideologias pessoais. E muito dela povoa meu dia -a- dia, gerando por muitas vezes, angústia.
Esse texto parece prolixo e retórico. Tem até mesmo, tom de discurso político.
É na verdade, uma simples e singela homenagem à pessoas que lutam e dedicam suas vidas, em prol de uma igualdade verdadeira.





Um Salve aos irmãos de luta Marcelo Yuka e Zaccone.
Paradigmas na crença da mudança humana, através das oportunidades.



O Projeto "Carceragem-Cidadã" é uma mostra de que grandes mudanças são possíveis, através de pequenas atitudes.
O que você faria após ser vítima da violência e ficar preso eternamente numa cadeira de rodas por conta dela? Visitaria cadeias, promoveria debates levando uma ponta de esperança e cidadania para aqueles, que comumente seriam generalizados como seus inimigos?
O que você faria sendo membro de uma instituição falida e desacreditada, manchada por infinitos casos de corrupção e injustiças? Iria além de suas atribuições, mostrando um caminho diferente para aqueles que só conhecem um?

São por essas e outras, que ainda ACREDITO que somos capazes de mudar esse triste cenário nacional.
Vou até o fim.
Essa foi minha escolha.
Junior

quarta-feira, julho 30, 2008

A triste realidade da Saúde Pública e sua politicagem (um relato sobre uma experiência nada agradável e previsível)





Bom, o que vou relatar aqui não é nenhuma novidade.
Quando falamos de serviços públicos no Brasil, realmente o assunto parece ser mais do que prolixo. E triste.
O fato é que dessa vez eu senti na pele (e não foi naquele programa de tevê que procura ganhar audiência relatando essas tristezas, não). Decidi fazer uso do sistema público de saúde para saber como funcionava na realidade aquele serviço que todos nós, cidadãos, pagamos através de nossos impostos.
Iniciei essa minha experiência com dois fatores relevantes e favoráveis. Primeiramente, o fato de ser ano eleitoral. Estamos praticamente nas vésperas das eleições municipais em todo país, e como todo mundo sabe nessas épocas tudo funciona em plena harmonia – pelo menos é o que se espera. Segundo, por conhecer uma pessoa que trabalha no mencionado sistema e juntamente dela, começar a “jornada”.
Agora, some esses dois fatores e entenda o porquê de ter mencionado o termo politicagem.
Responda-me: como uma prefeitura pode ter em seu quadro de funcionários, um percentual tão elevado de analfabetos? Infelizmente essa realidade reflete outra verdade degradante que é o analfabetismo e a péssima formação educacional de um povo dependente da rede pública de ensino. E só para fecharmos o raciocínio, informo-lhes que esse meu “conhecido” não possui nem o ensino médio concluído, mas ainda assim ocupa um cargo de confiança: a chefia de um setor (que por questões éticas não vou revelar) do hospital municípal.
Nada contra a pessoa dele. Por sinal, uma pessoa muito prestativa que está apenas, pode-se dizer, “fazendo seu trabalho”. Mas jamais poderia deixar de condenar essa prática que na prática (isso mesmo, para ser bem redundante e relevante) retira a chance de pessoas especializadas que depositaram anos e anos de estudos, na esperança de um dia ocupar um cargo público e consequentemente prestar um serviço de maior qualidade à população. Pensei comigo mesmo: essa situação está agora em minhas retinas pelo fator de conhecer uma “peça” que nesse momento está compondo o sistema. Anteriormente, o sistema sempre funcionava desta forma. O que muda de uma eleição a outra, de uma administração a outra, são somente as “peças”. Esse é o sistema.
Inicialmente me senti sujo. Não porque estava me utilizando dos serviços públicos (afinal de contas, como já dito anteriormente, todos nós cidadãos fazemos jus aos mesmos – quando pagamos pelos serviços particulares, estamos pagando duas vezes), mas sim pelo fato de estar, de certa forma, burlando, sendo desonesto e antiético.
Vou explicar.
O fato é que estou com um “cisto sinovial” no meu punho esquerdo. Trata-se de um acúmulo do líquido que lubrifica as articulações, formando uma espécie de “bolinha” ou "caroço", como queira. Nada muito sério, tampouco doloroso. Mais para o lado estético do que clínico, na minha leiga visão. Mas não importa. A verdade é que se trata de algo clínico sim, que futuramente pode vir a causar algum tipo de lesão maior. Para os mais curiosos, digitem a palavra no “google” e saberão do que estou falando.
Quando disse que me sentia como um fraudolento, foi porque funcionava mais ou menos assim: eu chegava junto com a pessoa do sistema e pedia para me consultar. O funcionário então me cadastrava e me entregava um número. O local já estava lotado de pessoas – que no mínimo estavam desde muito cedo nas filas ou então estavam retornando após um espaço longínquo de tempo desde a última marcação da consulta. Mas após a identificação dessa pessoa do sistema, o funcionário tratava de arrumar um “jeitinho” de me encaixar num número mais próximo ou então fazia uma ligação e eu ia DIRETO para ocupar o lugar de próximo na fila de atendimento. Me doeu o coração. Mas eu precisava ir até o final com essa triste experiência conclusiva.
Me consultei. Não durou nem dois minutos. O médico só anotou meus dados e perguntou o que tinha. Olhou e falou que aquilo “não era com ele”, mas sim caso de ortopedia e então me encaminhou para aquela especialidade. Especialidade essa, que descobri quando fui solicitar a nova marcação, após a consulta "expressa", não mais ser atendida naquele hospital e somente num outro totalmente distante que conforme informações da própria atendente, estava sobrecarregado de marcações, sendo essas efetuadas como pagamento de prestações nas Casas Bahia: à perder de vista.
Eis que novamente entra em cena quem? Adivinhem.
Sim, ele: o famigerado “Qi” (quem indica), membro honorário de todas as repartições públicas de nosso país e já aposentado Ser dos cérebros de quem ocupa as cadeiras que nossos impostos sustentam (abro aqui um parêntese para reconhecer sim, a inteligência desses seres, porém única e exclusivamente usada em benefícios próprios).
Então, entre uma ligação e outra a consulta foi marcada. Porém, dessa vez, para uma semana depois. Imaginem só como não estava realmente crítica a situação, ao ponto de que até mesmo para os “dotados de privilégios” era necessário esperar.
Uma semana depois, no local de difícil acesso - única unidade do município a atender a especialidade de ortopedia - e horário marcado, lá estava eu.
Nesse dia fui sozinho e então aguardei algumas pessoas que estavam com números na minha frente (foi menos doloroso para minha consciência) para ser atendido.
Enquanto aguardava, mais uma conclusão: os médicos da rede pública são muito bons ou fazem curso com aquele personagem dos quadrinhos, o “The Flash”. Em menos de dez minutos vi três pessoas na minha frente serem atendidas. Sabia que coisa boa não poderia esperar. E assim foi.
Quando entrei, logo após o "bom dia" que dei ao médico, começou o procedimento padrão de anotar os dados – essa era a parte que mais demorava na consulta. Quando ele me perguntou "o que você tem?”, mostrei-lhe meu punho dizendo que havido sido encaminhado a ele por um clínico que afirmava ser um cisto sinovial. Perguntou-me se doía. Foi aí que constatei outra máxima do sistema público de saúde e ao mesmo tempo, meu maior “erro”. Disse-lhe que não. Automaticamente a cara dele pareceu me questionar: então o que você está fazendo aqui? Foi quando ele afirmou que não era nada sério não e que essas “coisas” normalmente, “com o tempo” estouravam naturalmente e então tudo voltava ao normal. Ou seja, em outras palavras ele quis me dizer que meu caso não era nada que pudesse me matar, portanto não teria o “direito” ou necessidade de me tratar, a não ser que estivesse ali, sem os movimentos da mão ou gritando de dor. Essa era a verdade.
Só para não dizer literalmente para mim tudo o que seu olhar desejava (e creio, por notar que eu não era um total leigo, pois questionei se realmente seria de fato aquilo), por fim ele me entregou a solicitação de um raio-x para ver melhor do que se tratava.
Raio-x esse, que eu já havia tirado antecipadamente (no mesmo dia da primeira consulta, já prevendo que seria solicitado futuramente) com a “ajuda” do já conhecido funcionário e que a técnica ao término do mesmo, me mostrou, apontando e explicando que nada relativo aos movimentos da mão havia sido afetado, que era caso de uma pequena cirurgia para a retirada do mesmo. A boa vontade dela (somada ao interesse de atender bem quem era conhecido do influente funcionário, braço direito da prefeita) me deu um laudo simples, porém coerente.
Resumo da ópera: encerrei naquele consultório minha jornada pelo mar das sujas e degradantes politicagens que assolam os serviços públicos brasileiros (nesse caso, a saúde) e não consegui resolver o meu problema clínico.
O que farei?
Pegarei o raio-x e vou procurar a rede de serviços privados para conseguir ser atendido. Afinal de contas, lá estou pagando.
Mas agora lhe pergunto: e na rede pública, eu também não estou pagando?
Pois é... O Brasil e seus paradigmas paradoxais.



Os “pequenos grandes” detalhes que observei durante essa experiência deixei para relatar agora no final. Pois é impossível não se indignar com toda a situação a qual são submetidas todas as pessoas que não possuem condições alternativas ao péssimo e desumano sistema de saúde pública.
Posso dizer que essa situação ocorre em todo o Rio e Brasil de forma geral. Só que numa escala muitíssima pior. Eu só estive na mais fina camada de toda imunda e asquerosa sujeira.
Imagine os casos de desvios de verbas públicas destinadas à saúde, compra de remédios, equipamentos e manutenção dos mesmos, pagamentos e contratação de novos médicos, etc. É desumano.
E sinceramente, quem desejaria estudar no mínimo sete anos, investir numa formação caríssima e muito disputada nas universidades públicas, se especializar e ao final de todos os esforços, receber em média R$ 1.200 mensais (sim, esse é o salário médio de um médico do SUS)?
Nossos representantes ainda fazem discursos hipócritas de que a saúde no Brasil está evoluindo e que cada vez mais o governo trabalha para melhorar. Discutem o aumento da arrecadação de impostos para a saúde, dizendo que sem esses, será impossível manter a saúde com a qualidade necessária.
Num país que divide a ponta do ranking de arrecadação tributária com países de primeiro mundo, numa nação onde se trabalha em média cinco meses do ano só para pagar impostos, é inadmissível ouvirmos certas abobrinhas.
Eu tinha de ser miserável para estar ali? Eu tinha de sofrer tanto para me enquadrar no perfil de usuário daquele sistema? As pessoas realmente tinham que reverenciar o atendimento como uma conquista ou como um verdadeiro favor, digno de lágrimas, quando este era alcançado?
Os hospitais tidos como melhores eram na verdade, os mais maquiados. Dá para notar que aquelas belas obras não resistirão às péssimas administrações futuras e à falta de verbas para manutenção geral. Resistirão somente enquanto o ego falar alto e a placa que leva o nome do político que inaugurou a referida obra, brilhar.
Filas, abandonos, falta de compromisso com o dinheiro público, descrença na população e acima de tudo: falta de amor no coração.
Termino aqui, com péssimas referências e com uma enorme angústia só de pensar que diariamente centenas de vidas são supliciadas nos corredores de nossos hospitais públicos.
A única certeza que tenho é a de que nossos políticos estão muito poucos preocupados com toda essa situação, pois desfrutam de planos de saúde e demais benefícios que a rede privada oferece.
Acrescento ainda a essa infeliz certeza, que grande parte da população, contaminada com a mazela urbana do individualismo padrão, também pensa assim.

“É difícil viver as verdades do mundo, quando o seu coração não se sente à vontade...”

Junior

terça-feira, julho 15, 2008

Brasil! Mostra tua cara

A cara da IMPUNIDADE:
PRESIDENTE DO STF, GILMAR MENDES

Na luta incansável contra a impunidade, reinante nesse país e geradora de grande parte das mazelas que assolam a nação, meu amigo Tico mais uma vez relatou muito bem em seu blog toda essa sujeira. Transcrevo aqui para conhecimento de todos:

No último capítulo da novela das prisões da PF aparece um diálogo bem interessante onde membros da quadrilha desses salafrários de terno e gravata que roubam nosso país GARANTEM que o problema a ser resolvido é com relação a Justiça estadual pois no STF e STJ o banqueiro DANIEL DANTAS tem influência política que favorece seus interesses. Nesse diálogo é oferecido ao Delegado que investiga o caso 1 milhão de dólares (do dinheiro de todos nós). Sabemos que isso é só a ponta do iceberg.


Dá para entender agora a DECISÃO DO PRESIDENTE DO STF, Sr. GILMAR MENDES?



Dá para entender agora o porquê de o CARO MINISTRO ameaçar investigar o juiz que proferiu o pedido de prisão do BANQUEIRO?

Meus amigos.
A impunidade que IMPERA nesse país não pode passar despercebida como se não fosse problema nosso. Quando fraudam os cofres públicos o reflexo se dá diretamente no cotidiano da população. Enquanto nossos parlamentares praticam crimes garantidos por uma justiça que lhes concede imunidade e crimes prescrevem por “falta de tempo” de nossas autoridades jurídicas, crianças são assassinadas nas ruas, guerras são travadas nas grandes cidades, médicos, professores, servidores públicos importantes são jogados as traças para que nós privilegiemos os salários absurdos de POLÍTICOS e autoridades que legislam em causa própria e ainda tem CORAGEM de desafiar publicamente a sociedade. Eles contam com a apatia do povo que se esmera para conseguir pagar as contas e dedica o tempo livre a esquecer o que de mal lhes aflige ao longo de toda semana. Eles conhecem o GADO que estão criando faz tempo. Eles identificam uma classe intelectual que cansou de lutar e uma classe artística preocupada somente com seus brilhantes umbigos.

Porém a internet é uma arma que podemos usar para divulgar informações, trocar conhecimentos e obviamente levar ao maior número de pessoas o ROSTO da IMPUNIDADE.

Tudo bem que o código penal pode ser interpretado de diversas formas tendendo sempre a capacidade de bons juristas em analisar os processos e trabalhar para defender o interesse de seus poderosos clientes.

MAS SERÁ QUE ALGUMA AUTORIDADE PODE INTERPRETAR A FAVOR DO POVO?

É pedir muito que nossos Ministros do STF, STJ entre outros que tem poder para acabar com essa avacalhação com dinheiro público, que intervenham a favor dos interesses da nação?

Quem não está a nosso favor, está contra nós.
Então QUE TODOS TOMEM CONHECIMENTO DE SEUS CÓRNEOS, pois são esses homens que nos jogam uns contra os outros, que alimentam esse sistema falido que assassina milhares de pessoas todos os dias. Que manda para a cova trabalhadores, jovens, negros, brancos, índios, gente de todas as raças, crenças e classes com exceção obviamente da CLASSE QUE GARANTE salários paralelos.

ISSO É COVARDIA e quem se omite também é COVARDE.

Não tenho vocação para otário.




PELO FIM DA IMPUNIDADE.

FORA GILMAR MENDES.

Temos que começar a limpar do TOPO e descer o rodo em todo o resto é muita sujeira.
Gerações inteiras terão de dormir com o fedor desse lixo.



Preparem-se...
NÓS VAMOS INVADIR BRASÍLIA!!!
Voluntários da Pátria em Ação!
PELO FIM DA IMPUNIDADE!!!!
Junior

quarta-feira, julho 09, 2008

Angústia

Vivemos numa sociedade covarde, hipócrita e corrupta.
Estamos pagando o preço por anos e anos de omissões coletivas e falta de investimentos e comprometimento com os serviços básicos de uma sociedade.
Esse é o país que sobrevive sem as referências mínimas esperadas por uma carga tributária gigantesca que enche os cofres públicos. Pagamos impostos de primeiro mundo e recebemos serviços de terceiro. Em troca, esse mesmo país comemora os aumentos dados aos benefícios assistencialistas que só mantém a miséria no seu devido lugar, sem expectativa alguma de real mudança.




Sobrevivência. Essa é a palavra que define o Brasil.
Sobreviver à guerra urbana, sobreviver ao desemprego e a todas as demais mazelas que nos rodeiam diariamente.
O monstro da impunidade alimenta severamente a carnívora violência com os corpos das vítimas dessa guerra sem fim.
Como pode uma esfera penal estar falida? Sim, a esfera penal brasileira está falida. Tanto o código penal, como o de processo penal, são falhos e não traduzem o clamor por justiça que cada vez mais é entoado pela sociedade. O descrédito por tudo que é público é absurdamente crescente nesse país de riquezas inúmeras.
Nossos políticos só representam seus interesses pessoais e hoje em dia, o “bom” político é aquele que rouba, mas “pelo menos” faz.










Brigamos, discutimos e nos revoltamos com os galhos de todos os problemas. A educação oferecida não permite à grande massa popular ter o discernimento mínimo para pensar a fundo sobre determinadas questões e chegar às raízes de tais fatos absurdos. Isso não é interessante para os que comandam esse país. E fortifica a máxima de que “brasileiro tem memória curta”.





Estamos cegos e aleijados diante de todo o cenário brasileiro.
Nada muda. As pessoas não saem de sua zona de conforto, olham com elogios os povos de nações vizinhas que se mobilizam, que são politizados, mas não conseguem sequer ter a coragem de ir para as ruas lutar por seus direitos básicos.
Falar sobre corrupção? Repetir as inúmeras notícias que nos circundam?
Enquanto não houver mudanças revolucionárias na EDUCAÇÃO e no combate à IMPUNIDADE, posso afirmar categoricamente que NADA, ABSOLUTAMENTE NADA, mudará.








Ninguém pensa duas vezes antes de apertar o gatilho ou desviar uma verba pública...




Com profunda tristeza e angústia,

Junior


...



.

segunda-feira, junho 23, 2008

O sonho acabou?

Que geração é essa?

Micaretas


Festas Rave


Maracanã


Paradas Gay


Eventos nas praias


Coca-cola? Que nada.
É a minha geração.
É a “geração orkut”.
Poderia ser a “geração msn”.
Talvez a “x-tudo”.
Mas que não luta, sonha ou almeja absolutamente “x-nada”.
A palavra utopia foi extinta de vossos dicionários.
Os jovens nascem, recebem uma educação peculiar ao status social de sua família e... nada.
Ainda aqueles que são beneficiados pela exceção da regra na educação no Brasil, não possuem uma qualidade ( no sentido equilíbrio sócio-cultural) mínima esperada pela sua formação.
O que é ser um cidadão?
É somente votar (o exercício “máximo” da cidadania) nas eleições? Seria somente pagar os impostos em dia? É estudar nas melhores escolas, tirar as melhores notas e depois passar num vestibular para uma universidade pública? É só olhar para o meu umbigo?
O que é, afinal?
Currículos com várias especializações e estudos no exterior. Línguas e mais línguas. O “boom” dos idiomas e do “fast-food” universitário. E o português? Vai mal, obrigado.
Passaportes carimbados. Fotos e mais fotos. Sempre fotos. Disputas de megapixels. Para no final, entupirem as suas “vitrines virtuais”. Meu mundo está ali. Acessem: www.orkut.com/meu_mundo_é_esse. Caso queira saber qual é a minha tribo, acesse as minhas comunidades. Enfim, não é tão difícil. É só me procurar lá.
Por falar em procura, não precisa pensar e nem ter muito trabalho, se o google não achar é porque não existe.
A tal revolução virtual.
Críticas contrárias? Não. Palmas!
Milhares são os benefícios por conta dela. Porém, como toda revolução pode acarretar “efeitos colaterais” por uso excessivo, com essa não foi diferente.Infelizmente.

E antes? Como era?

Woodstock


Movimento Hippie


Movimento Estudantil



Então é feita aquela bela pergunta:
“Mas e daí, algo mudou?”
Aos olhos pragmáticos, não. Absolutamente nada. Foram só manifestações de “rebeldes sem causa”. Mas aos olhos daqueles que sonham, daqueles que ousam descobrir um real sentido para a existência humana nesse mundo, dos que aprenderam a simples diferença entre existir e viver, sim. Muitas coisas mudaram.
Por que escrevo tudo isso sobre a minha geração?
Porque é esse o sentimento que me consome após chegar de uma noitada, uma festa ou qualquer um desses eventos que reúnem milhares de jovens e não existe um sentido “real”, uma causa ou um sonho (que seja) para estarmos ali com nossas diferenças, mas com um algo em comum.
Não. Nada disso ocorre.
É pegar a chave do meu carro, chamar a minha tribo, escutar a trilha sonora do meu mp3, fazer preces para que nada aconteça, curtir, mais rezas para a volta e pronto. Depois vou para minha faculdade, conto como foi o meu “finde” e pergunto se alguém já sabe se as provas estão marcadas. Não se pode deixar de estudar, tudo bem que seja somente nas vésperas da prova, só pra passar. Mas não importa. O importante é me formar no tempo certo que o curso demanda. Já tenho em mente toda a minha vida. Vou fazer tal pós, aquele mba e um intercâmbio lá na Europa (mais fotos para a minha vitrine!). Vou esquentar a minha cabeça com mais o quê?
Meu país está uma merda? O mundo está derretendo?
Essas são causas que “nunca vão mudar”. “O mundo é assim desde que existe”, “desde que me entendo como gente essas coisas sempre foram faladas e nada mudou, não adianta”.
As mesmas respostas prontas.
Essa é a minha geração.
Faço parte de todo esse universo descrito acima. Vivencio diariamente. Não sou um exemplo, nem muito menos o certo diante do errado. Não existe isso.
Apenas sinto uma grande angústia no meu interior quando paro pra pensar nisso tudo.
É maneiro curtir, ser careta, ser aloprado, ser o que quiser. Mas, e o sentido?
É tão difícil conseguir mesclar diversão, responsabilidade, amor e consciência?
É a pergunta que não sai da minha cabeça.
Assim também como outra:

“O sonho acabou ou acabaram os sonhadores ?”

Junior

terça-feira, junho 17, 2008

Ctrl+P

Para imprimir ou para uma pausa?
Tinha a certeza que no caso de uma impressão, a imagem não sairia das melhores. Então optei pela pausa.
De vez em quando, uma pausa é algo positivo e construtivo.
Quando a rotina nos impõe um ritmo que chega a ser praticamente automático, é hora de uma pausa.
Pausa para avaliar tudo o que está acontecendo. Pausa para ver os passarinhos nas árvores. Pausa para caminhar à beira do mar e escutar as ondas quebrando livremente, numa desordem harmônica que transpõe a certeza do previsível.
Poucas coisas mudaram nessa esfera exterior por onde vagou meu corpo nesse tempo. Em contrapartida, muitas outras mudaram no meu mais profundo interior.
É interessante notar que se você acompanha o mundo simplesmente pelo impulso dessa chamada vida moderna, a sua verdadeira vida acaba como ele, totalmente rotineira e sem sentido, sem utopia.
As notícias são as mesmas, os problemas também, bem como as diversões vendidas pela tendência global. Tudo naquele velho joguinho de interesses onde o alvo de toda a manipulação, como sempre, somos nós.
Mas estou de volta.
E com a certeza, de que não há nada melhor do que enxergamos além do que nos é mostrado.
Agora sim, quero uma impressão linda!
Ctrl+P.

Junior

Ultimas leituras:
O Zahir (Paulo Coelho)
Além do Bem e do Mal (Nietzsche)

"Livros não mudam o mundo. Quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas."
(Mário Quintana)


Luz, meus amigos!